30 Dias de ‘Journaling’

Para quem leu o titulo deste post e se perguntou «Mas o que raio é “journaling“?», journaling é nada mais, nada menos, do que o termo chique e inglês para registo diário por escrito. Uma terapia que tem ganho alguma popularidade graças aos youtubers e bloggers que a publicitam como sendo “um dos passos chave para o sucesso”.

Segundo a pesquisa que fiz, a maioria afirma que um dos passos importantes para alcançar o sucesso é começar (ou terminar) o dia a pôr por escrito os nossos problemas e/ou pensamentos. Dizem que assim, estes ficam desabafados e podem ser mais facilmente colocados para trás das costas.

Journaling é um pouco aquilo que nós fazíamos quando éramos mais novos. Mas em vez de «Querido diário, hoje na escola a Maria disse que eu era chata e não me deixou brincar com ela (…)» ou «Querido diário, hoje vi um filme em que o ator era mesmo giro (…)», falamos sobre os problemas do mundo adulto ou sobre as nossas conquistas.

Adiei durante muito tempo realizar este desafio, porque achava que ia ser foleiro ou que ia fazer uma viagem de volta à infância. Mas como eu já revelei aqui, a quarentena e o período de layoff afetaram-me imenso, então achei que o estado em que estava era perfeito para me submeter a este desafio. Seria uma forma de terapia para me voltar a reerguer.

Comecei o desafio a medo. Com o caderno em branco, pensando «Guida, só tens de escrever no mínimo um parágrafo.». Estive com a caneta a pairar sobre o papel, durante o que pareceu uma eternidade, sem saber muito bem por onde começar.

Escrevi a data no canto superior direito da página e tentei organizar os meus pensamentos. Bastou-me escrever uma frase, para que o parágrafo acabasse por se tornar em páginas. Já não escrevia à mão há muito tempo, terminei o registo daquele dia com o pulso dorido, mas com a sensação que um grande peso me havia saído das costas.

Tornou-se facilmente num hábito. Em vez de o fazer de manhã, fazia ao final do dia antes de ir dormir e sentia que ia dormir mais leve e tinha menos pesadelos do que o habitual. Sim, eu tive mesmo muito tempo com noites mal dormidas graças aos pesadelos. Que como toda a gente sabe, são reproduções cinematográficas dignas de um Óscar, produzidas e projetadas pelo nosso subconsciente.

Escrevi o que me ia na alma, sem começar com as cerimónias da infância. Não havia cá “Queridos diários” nem “Beijinhos e até amanhã”. Escrevi o que me ia na alma de forma crua. Sem me preocupar se havia vírgulas mal colocadas ou erros ortográficos. Aquilo era uma forma de eu desabafar, pelo que não estava a concorrer ao prémio Nobel da Literatura.

Pensei que iria ser um martírio cumprir o desafio até ao fim, contudo foi tudo menos isso. Eu realmente gostei, principalmente pela forma como me sentia no fim de cada registo. O alivio no fim, valia o pulso dorido.

O desafio consistia em 30 dias de journaling, mas eu queria ir mais fundo. No fim do desafio, peguei no caderno e, em vez de escrever, reli tudo o que tinha escrito. Olhei para as minhas palavras como se fossem de outra pessoa e tentei analisar. As três curiosidades que tirei deste auto-exame foram:

  • eu sou uma pessoa bastante negativa, é algo que depois do desafio tenho feito alguns esforços para contrariar isso;
  • os primeiros registos são bastante pesados, mas à medida que os dias vão passando tornam-se mais leves, o que comprova que é mais fácil deixar muitos dos problemas para trás das costas com o journaling;
  • realmente retira um peso dos ombros logo após o registo.

Depois de cumprir este desafio com sucesso, estou tentada a fazer o desafio de 30 dias de Diário da Gratidão. Em vez de escrever sobre as minhas preocupações e sobre os meus dias, consiste em todos os dias de manhã enumerar as coisas pelas quais estou grata.

Sinto que é capaz de ser um desafio tão gratificante como este.

E tu, costumas registar o teu dia em diários?

  1. É um hábito que não tenho, nem acredito que vá ter, mas acredito plenamente nos benefícios do Journaling porque ajuda-nos a colocar os nossos problemas e ansiedades em perspectiva o que acaba por fazer com que lidemos melhor com eles. Gostei muito da tua partilha!

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  2. Eu escrevo muito durante os dias, seja para trabalho, seja no blog. O meu blog foi criado precisamente para escrever sobre o que me apetece e da forma que quero. Mas não é journaling, claro. Eu não pratico, mas quando tenho necessidade faço alguns exercícios durante uns dias ou exporadicamente, porque sim, tenho a certeza que escrever facilita e dá alguma leveza e até clareza a certas assuntos ou coisas dentro da nossa cabeça. Quando escrevo com o intuito de “desabafar” não volto a ler. Escrevo, como se fosse para esvaziar a cabeça e pronto, resulta. 🙂

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    1. Sim, escrever é uma forma de nos trazer leveza. Eu também escrevo no blog, porque é algo que me faz bem e porque não há grandes regras. Mas este exercício do ‘journaling’ proporcionou-me algo completamente diferente e era exatamente o que eu precisava, principalmente depois da quarentena 😂 Obrigado pela partilha 😘

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