Encontra o teu estilo em 6 passos

Encontrar o seu próprio estilo é algo extremamente fácil para uns e uma tarefa árdua para outros. Eu falo por mim, durante anos, andei entre diversos estilos e alguns em simultâneo. Talvez por ser uma pessoa das artes ou simplesmente por ser um pouco indecisa, várias foram as justificações que usei no passado.

Tinha alguns itens imprescindíveis no meu roupeiro, que levava comigo de estilo em estilo. Tive tantos estilos que cheguei a um ponto em que não me reconhecia nas minhas roupas. Usava-as por não ter outra coisa para vestir, mas não sentia que combinassem comigo, nem que dissessem algo sobre mim.

Olhar para o armário repleto de roupa e não ver nada para vestir é possível, mas também é um sinal que durante todo aquele tempo nunca compramos roupa que refletissem a nossa essência ou que fossem mesmo a nossa cara.

Durante a minha infância, apesar de os meus pais insistirem que eu me tinha de vestir como uma bonequinha, muita da roupa que eu insistia que me comprassem era meia arrapazada. Eu gostava de jogar futebol e de correr, pelo que saias à escocês e sapatos de verniz, não combinavam com a minha essência.

Mais tarde, durante o ensino básico, veio aquela fase triste em que me guiei pelas modas das revistas adolescentes e pelas novelas da altura. É talvez a minha pior fase de sempre, sem brincadeira. Aquelas túnicas ao estilo Camp Rock ou aqueles vestidos usados por cima de calças de ganga de corte reto… minha nossa, como é que a minha mãe permitiu que eu saísse assim de casa?!

No secundário, comecei a procurar mais seguir a minha essência, pelo menos a que tinha na altura. Desde vestidos compridos de estampados étnicos, coletes de renda ou bordados com missangas, túnicas coloridas e penteados entrançados, eu usava tudo o que gritasse boémio, fosse inverno ou verão. Ou como a minha avó dizia, eu tinha um estilo “destrambelhado”.

Foi no fim do secundário, quando me comecei a interessar por moda que o meu estilo começou a ganhar uns toques mais edgy e clássicos. Eu gostava de peças e outfits clean e ao mesmo tempo que fossem chique, adotei um estilo mais roqueiro que não tardou a desaparecer um pouco, mas não totalmente.

Ao entrar na universidade, como não entrei em design de moda e me senti um bocado em baixo com isso, desleixei-me um pouco e deixei-me levar pelo uniforme da praxe, o fato de treino. As minhas compras começaram a ser feitas conforme necessidade, mas sem ter grande atenção ao seu estilo e isto durou sensivelmente 3 anos.

3 anos de más decisões ao nível da moda e a descuidar a minha essência. Só no mestrado me voltei a importar seriamente e a reconstrução de anos de desleixo tornou-se um objetivo. Descobrir o nosso próprio estilo e montar um roupeiro à nossa imagem não é uma tarefa simples que se faça da noite para o dia.

Exige tempo, muita tentativa e erro e algum dinheiro. Para mim foi e está a ser um projeto que está a levar o seu tempo, porque sou um pouco perfecionista e porque acredito que isto é um passo importante para mim.

Sou uma rapariga muito insegura por natureza e cujo desleixo a levou a sentir-se ainda pior na sua pele. Este processo de encontrar o meu estilo ajudou-me a gostar mais de mim e a sentir-me bonita na minha pele. Pelo que hoje decidi partilhar convosco os 10 passos fundamentais para encontrarem o vosso próprio estilo.

1

Qual é o teu tipo de corpo?

Um dos principais problemas que levam a um armário de que não gostamos é não perceber qual o nosso tipo de corpo ou a nossa forma. Nós podemos ter um corpo do tipo ampulheta, pêra, maçã, triângulo invertido ou retângulo e isso influencia a forma como as roupas nos assentam no corpo.

Imagem do blog Mini-Saia por Mónica Lice

É importante reconhecer isso e procurar descobrir quais os tipos de roupa que nos favorecem ou não. Eu, por exemplo, tenho certos tipos de saia e de calça que sei que não me favorecem porque tenho a anca mais larga. Por isso, se reconhecermos o nosso tipo de corpo e aceitarmos as nossas medidas torna-se mais fácil descobrirmos o que nos assenta bem.

Para além do tipo de corpo é essencial que abracemos as nossas medidas e as consideremos quando estamos a comprar roupa. Andar com roupa extremamente justa e que nos asfixia não é saudável para a mente, nem confortável e isso revê-se no nosso humor no dia a dia. Por isso, abracem o vosso tipo de corpo e as vossas medidas e procurem roupa que vos favoreça sempre.

Se não sabes qual o teu tipo de corpo, este artigo do blog da Mini-Saia pode ser bastante útil.

2

Quais os clássicos do teu armário?

Toda a gente tem aquelas peças que nunca passam de moda no seu armário. Eu sei que tenho! As minhas Converse pretas, o meu casaco de couro preto, o sobretudo bege, a gabardina, os meus oxford castanhos e os loafers pretos. Algumas destas peças já contam com oito anos de existência no meu armário. Oito anos de uso quase diário e de muita estima.

Estas peças dizem muito sobre ti e sobre o teu estilo. Se pensares bem, se elas nunca abandonam o teu armário, independentemente do estilo que tens, é porque são peças chave para ti. No meu caso, refletem que o meu estilo é mais clássico.

Descobre os teus clássicos ou as peças que nunca abandonam o teu armário e a partir daí consegues perceber qual o teu estilo.

3

Que peças não gostas?

Existem sempre aquelas peças que compramos por impulso, que vimos em alguém e que por ser tendência achamos que temos de adquirir, mas que no fim acabam encostadas no fundo do armário. A moda tem destas coisas, consegue impingir-nos roupas que não nos dizem nada e que depois de compradas, usamos uma vez e depois nunca mais as queremos usar, porque simplesmente não combinam connosco e com os nossos gostos pessoais.

Por isso, tal como devemos perceber quais são os clássicos no nosso armário, devemos reconhecer também quais as peças que nunca têm saída connosco. Ao fazermos isto, conseguimos saber que peças não devemos comprar e se nos sentirmos tentadas, só temos de nos perguntar:

  • Quantas vezes a vais usar?
  • Quantos outfits diferentes consegues fazer com esta peça e as que já tens no armário?
  • Vale a pena investir nesta peça se provavelmente a vais usar apenas uma vez?

A minha irmã mais velha costumava-me fazer estas perguntas nos provadores das lojas. Eram perguntas que por vezes me irritavam um bocadinho, mas que no fim me ajudavam a evitar fazer compras que mais tarde me iria arrepender.

Se soubermos à partida que não gostamos e que connosco aquela peça não tem futuro, então mais vale nem sequer comprar. Isso para mim é todas as camisas e vestidos de cores mais fortes, são bonitas noutras pessoas, mas não combinam comigo.

4

Quem são os teus ícones de estilo?

Ter ícones de estilo não significa que vamos copiar religiosamente o estilo daquela pessoa, significa sim, que vamos ter um ícone pelo qual nos vamos guiar.

Um ícone de estilo é alguém que tem um estilo semelhante ao nosso ou ao estilo que nós pretendemos alcançar. Ou seja, é alguém cujo estilo nos inspira e o qual procuramos quando não sabemos o que vestir.

O teu ícone de estilo pode ser uma atriz, uma modelo, uma blogger, um familiar, pode ser qualquer pessoa na verdade. No meu caso tenho 3 ícones: Audrey Hepburn, Karlie Kloss e Courtney Halverson.

4

Cria um moodboard

Antes de passarmos à parte preferida de toda ou quase toda a gente que é renovar o armário é necessário criar um moodboard ou, traduzindo para português, um quadro inspiracional. Isto para termos algo por onde nos guiar no momento critico de fazer a revisão ao roupeiro e ir às compras, passos que falaremos mais à frente.

Este moodboard pode ser feito no Pinterest, no Tumblr, no Photoshop ou até mesmo com recortes. O que importa é conseguirmos entender qual o estilo que pretendemos alcançar. Para mim foi bastante importante criar um moodboard, eu fi-lo no Pinterest, porque me serviu de guia nas compras. Este moodboard pode também ser útil para quem vos tenciona comprar roupa, assim não caem no erro de vos comprar qualquer coisa e até vos ajudam a construir o vosso roupeiro.

O moodboard deve conter exemplos de outfits dentro do estilo que vocês pretendem, a paleta de cores que querem no vosso roupeiro, itens essenciais (acessórios, calçado ou peças de roupa especificas) e por exemplo, tipos de tecidos.

5

Faz uma revisão ao roupeiro

Depois de todos os passos anteriores estarem concluídos, começa a parte mais empolgante de todo o processo de descobrir o estilo pessoal – a revisão ao roupeiro.

Aqui temos de ter em atenção tudo o que trabalhamos para trás, as peças que não combinam connosco, os clássicos que ficam e o estilo que pretendemos alcançar. Por isso, seguindo os costumes da Marie Kondo, aconselho a que coloquem todos os vossos pertences fora das gavetas, dos armários e prateleiras e que façam uma triagem.

  • Esta peça já me fez feliz?
  • Enquadra-se no estilo que pretendo alcançar?
  • É um dos meus clássicos?

Se responderem sim a estas três perguntas, a peça merece regressar ao roupeiro, caso contrário se estiver em bom estado podem vender, dar a algum familiar ou doar, caso contrário fora com ela. No fim queremos que o armário apenas tenha as peças que nos vão continuar a fazer felizes e que combinam connosco e com o nosso estilo.

Reconheço que para muitos possa ser um processo doloroso, principalmente se o armário passar de atafolhado para folgado, mas garanto-vos que no fim de contas será bastante gratificante.

6

A arte de comprar

Esta é a parte mais satisfatória e ao mesmo tempo aquela a que devemos investir mais de nós e da nossa carteira. Devemos ser conscienciosos e pensar muito bem antes de comprar.

Devemos ter atenção:

  • às peças nas quais devemos investir um pouco mais, pois são as peças que devem ser mais duradouras no nosso roupeiro. Como por exemplo: as calças de ganga, os sapatos ou casacos.
  • às marcas onde devemos comprar. Aqui sugiro que se mantenham fieis às marcas que nunca vos deixaram ficar mal e onde o estilo geral é semelhante ao vosso. No meu caso, o meu roupeiro é quase todo Mango.
  • aos básicos essenciais que criam espécies de uniformes ou outfits que não precisemos de pensar muito, mas que combinam com o nosso estilo.
  • às modas e novas tendências, que não se enquadram no nosso estilo. Não caiam na tentação de comprar peças da nova moda se não vos dizem nada e se depois de as usarem uma vez, as vão encostar no fundo do roupeiro.

A menos que tenham poder monetário para isso, não tentem comprar tudo de uma vez. Comprem com cabeça e tendo em atenção as vossas capacidades económicas. Criem prioridades e adquiram as peças conforme podem e conforme a necessidade. Se uma peça deve ter algum investimento extra para ter boa qualidade e ser mais duradoura, mais vale esperarem do que comprarem algo que passado um mês já está num estado lastimável ou demasiado coçado.

Comprar é mesmo uma arte e deve ser-lhe dedicado tempo e alguma paciência. Eu ainda não terminei de preencher o meu armário, tenho andado um passo de cada vez e vou adquirindo conforme posso e necessito. Um dos meus mais recentes investimentos foi em calças de ganga que ao fim de alguns meses não estejam coçadas ou com as presillhas para o cinto descosidas.

Assim muito “sucintamente” estes são os 6 passos necessários para descobrirmos o nosso estilo e para o conseguirmos implementar nas nossas vidas. Tem sido uma caminhada que me tem dado muito gosto fazer e a qual me tem mudado muito, principalmente no diz respeito ao amor próprio e a sentir-me bem na minha pele.

Sei que este é um tema que sai um pouco do habitual aqui no blog, mas é um assunto que me fascina e que tem sido uma paixão, caso contrário não me teria tornado mestre de design e comunicação de moda. Por isso, quando o blog celebrou o seu primeiro aniversário no mês passado, decidi que estava na altura de falar de outros tópicos novos aqui.

Espero que gostem desta publicação e deixem-me o vosso feedback nos comentários.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

<span>%d</span> bloggers like this: