A vida nos últimos meses…

Como todos bem viram, devido a esta pandemia do inferno, o mundo ficou de pernas para o ar e tudo o que tomávamos como certo, não o é mais. Vimo-nos obrigados a moldar a nossa vida às restrições e imposições que a situação exigiu.

Ficar por casa um fim-de-semana, ou até uma semana, era algo que eu conseguia fazer sem problema. Mas eu sou daquelas raparigas que precisa de trabalhar, que precisa de se manter ativa e ser produtiva. Sempre que me sento no sofá a ver uma série sinto-me culpada. Sempre que acordo depois das dez, sinto-me culpada. Mesmo que não me devesse sentir assim, a culpa tem sido o diabinho que, sentado no meu ombro, me acompanha para todo o lado.

Com esta situação as minhas variações de humor andam semelhantes a uma viagem de montanha-russa. Tanto choro e grito, como rio e vivo momentos incríveis. Esta variação de humores levou-me a quase arrancar os cabelos e vi-me obrigada a arranjar novas formas de me fazer sentir útil e produtiva. Caso contrário, temia que esta viagem na montanha-russa terminasse numa descida íngreme da qual não saberia como sair.

Sim, estes meses têm sido uma batalha para manter a sanidade mental e se não fossem pequenas coisas simples, como por exemplo, escrever aqui no blog, não sei como é que teria conseguido manter-me Eu.

No início desta pandemia se me perguntassem: «Então, novidades?», a minha resposta era sempre a mesma, «Nada de nada e tu?». Este tipo de perguntas simples eram capazes de me deixar de rastos, odiei sentir-me uma inútil. Muitos foram os que brincaram comigo e disseram: «Se quiseres arranjo-te muita coisa para fazer, tenho lá um relvado em casa a precisar de ser cortado.». Eram brincadeiras, eu sei, mas não é esse tipo de “utilidade” que me faz ser quem sou ou mesmo me faz sentir feliz.

Eu precisava de trabalhar no que me faz feliz, precisava de criar e de me cultivar. Então acabei a dedicar-me a seguir uma lista de pequenas ambições que tinha para este ano de 2020.

Li.

Li pelo menos 5 livros da minha lista até agora. Li por desporto, li para que a minha mente pudesse voar para outros mundos e afastar-se do presente. Li para me cultivar e para conseguir que pelo menos um dos objetivos de 2020 se concretizasse.

Os 5 livros que li foram:

Tricotei.

Sim, como a idosa que mora dentro de mim, tricotei e muito. Aprendi novos pontos e novas técnicas. Aprendi a ler um knitting pattern e desde mantas, sapatinhos, bodies e tapa-fraldas para bebés já fiz de tudo. Encontrei no tricot, tal como na cozinha, uma forma de me distrair, relaxar e de criar. Sempre que termino uma nova peça sinto-me orgulhosa e isso eleva-me o espírito.

Escrevi.

Escrevi aqui no blog como nunca tinha escrito antes. A dedicação com que me entrego a cada publicação que faço tem crescido exponencialmente e o resultado tem sido extremamente recompensador. Para além do blog, tenho-me aventurado a escrever uns textos por diversão, para deixar a minha imaginação tomar rédeas e criar novos mundos, novas histórias e vidas. A escrita sempre foi um dos passatempos que trago comigo desde nova e o qual havia negligenciado nos últimos anos. Voltar à carga, trouxe-me um novo ânimo, o que foi super importante nesta fase.

Cozinhei.

Se és novo por aqui talvez ainda não saibas, mas cozinhar é uma das minhas grandes paixões e nos últimos tempos tem sido algo que faço com alguma regularidade. Criei novas receitas, experimentei outras e partilhei algumas convosco. Tenho uma mão cheia de receitas em fila de espera para serem partilhadas convosco. Umas bem doces, outras mais salgadinhas e ainda umas mais saudáveis.

Aprendi.

Quando estamos a trabalhar oito horas por dia, cinco dias por semana, damos por nós a ansiar ter mais tempo livre para nos dedicarmos a aprender coisas novas. Eu pelo menos sou muito assim. Então, aproveitei este tempo extra para fazer um curso online de Adobe Photoshop, para complementar as bases que tinha aprendido na universidade. Renovar ensinamentos e aprender novas técnicas nunca é demais. Sou a favor que devemos procurar constantemente aprender mais e reforçar os nossos conhecimentos, de modo a que o que nós aprendemos de novo possa contribuir para a nossa carreira.

Passeei.

A inspiração para criar algo novo pode estar em qualquer lado. Pelo que depois de sairmos do Estado de Emergência, saí de casa e fui visitar outros lugares, uns novos, outros que já fazem parte da minha vida, mas os quais não visitava há algum tempo. Do Gerês, a Braga, ao Porto, a Guimarães e Labruge, passeei para espairecer e para me inspirar. Visitar lugares que não a nossa casa é neste momento quase terapêutico.

Criei.

O mais fundamental para que eu não me perca é criar. Eu sinto uma necessidade quase vital de criar, de estar envolvida em projetos, de criar novos produtos, novas ideias. O meu estado de espírito durante muito tempo não cooperou com esta minha necessidade, mas depois de entrar nos eixos, tem sido insaciável. Seja na cozinha, no tricot, na escrita em projetos domésticos ou projetos relacionados com o meu bem estar psicológico, tenho criado todos os dias. Criar é a palavra chave para a minha existência neste mundo, o propósito maior.

Isto é o que tenho feito com a minha vida nos últimos meses. O modo como tenho sobrevivido e superado a montanha-russa de emoções que, neste momento, tem estabilizado. Quando nos apercebemos que o nosso estado de espírito se encontra numa descida íngreme, devemos ativar o travão de segurança e procurar uma forma de voltar a subir. Eu fiz isso e todos os dias trabalho para conseguir encontrar o topo da montanha-russa.

E vocês, o que têm feito nestes meses? Como tem sido a vossa vida?

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