Como recuar e acalmar quando só nos apetece gritar

Não podemos estar super felizes, produtivos e satisfeitos a toda a hora. Se assim fosse não éramos seres humanos, mas sim robots.

É normal não estarmos sempre com o espírito em alta e não faz mal que de vez em quando percamos as estribeiras. Isto desde que não se torne algo regular. Todas as pessoas se irritam, ficam frustradas ou enervam-se de vez em quando, faz parte, mas o mais importante nisto tudo, é saber pôr pausa, recuar e acalmar os cavalos.

Desde nova que sou um bocadinho temperamental. Enervo-me facilmente e tenho um dos piores defeitos de sempre: guardo tudo e quando expludo sou pior que uma bomba nuclear. Vai tudo à frente, as coisas que a outra pessoa fez de mal no verão de 1975 vêm à baila e às vezes estouro na altura errada. É um problema que tenho trabalhado ao longo dos anos e vou ser sincera, não é fácil.

Mas não há nenhum defeito em nós que não possa ser combatido desde que se trabalhe para isso. O meu lado mais temperamental levou-me a desenvolver uma ansiedade constante que muitas vezes me dá cabo da cabeça, das unhas e do estômago. Já para não falar que em situações mais extremas me inferniza a vida.

Eu consigo chegar ao ponto de estar tão irritada com tudo que até a mim me irrito. Sim, eu sou capaz disso e foram essas situações mais patetas que me levaram a procurar formas de combater a irritação e o nervosismo, para conseguir sobreviver ao dia sem arrancar cabelos ou gritar.

Houveram técnicas que funcionaram melhor do que outras, algumas que se tornavam incomportáveis com o meu estilo de vida e outras que simplesmente não combinavam comigo. Nos últimos tempos tenho utilizado três técnicas e tenho visto melhorias bastante significativas.

Como estas três técnicas me têm ajudado, pensei que seria bom partilhá-las convosco. Alías, com a situação atual ao nível global, de famílias fechadas em casa 24 horas, 7 dias por semana, a tendência para as pessoas começarem a ficar cansadas e, por ventura, mais nervosas é crescente. Pelo que me pareceu pertinente e adequado partilhar as minhas três técnicas agora, para que possam ajudar-vos a ultrapassar esta fase mais stressante.

Antes de aplicar qualquer uma das técnicas é importante primeiro seguir os passos principais. O primeiro é reconhecer que estamos irritados, nervosos ou ansiosos e, em segundo, parar. Parar um segundo para ganharmos consciência e remediarmos a situação. Só então pomos em prática a forma de acalmar mais eficaz e adequada à situação.

1.

EXERCÍCIOS DE RESPIRAÇÃO

Parece algo óbvio, certo? Mas a verdade é que esta é a técnica que mais uso e também a mais eficaz até ao momento. Principalmente quando não estamos em casa e precisamos de nos acalmar.

É uma técnica invisível pelo que podemos pô-la em prática em qualquer lado ou situação. Ninguém repara e depois é a única técnica que não nos impede de continuar a fazer as tarefas que tivermos em mão.

Existem muitos tipos de exercícios de respiração, neste link podem ler um artigo da Healthline, onde eles enumeram vários tipos de exercício de respiração e o seu modo de execução. Contudo, eu sou adepta do mais tradicional.

Quando me apercebo que a minha irritação, nervosismo ou ansiedade não estão perto de terminar, paro e respiro fundo 10 vezes. Cada vez que inspiro conto até cinco e depois expiro contando novamente até cinco. O facto de me concentrar na minha respiração e na contagem do tempo, faz com que o meu cérebro se abstraia do problema que me estava a deixar mais ansiosa ou nervosa e permite-me limpar a mente.

Assim que fico mais calma, consigo ver com mais clareza os problemas e desta forma arranjar soluções mais eficientes. Em discussões, por exemplo, permite-nos pensar no que foi dito e verificar se estamos a ser lógicos e se aquele assunto merece mesmo aquela algazarra toda.

Nos últimos tempos, dou por mim a reconhecer muitas vezes que há assuntos que não fazem sentido resultarem em discussões e os pedidos de desculpa saem muitas mais vezes.

2.

ARRANJAR UMA DISTRAÇÃO

A primeira técnica apesar de simples é extremamente útil para ser usada em qualquer tipo de situação. Pelo que é a técnica mais prática para quando não estamos em casa ou não nos podemos afastar do que nos deixou mais stressados. Esta segunda técnica é mais fácil de ser posta em prática se estivermos em casa.

Existem atividades que nos deixam mais relaxados, para alguns é a prática de exercício físico, outros é descarregar as emoções no seu instrumento musical de eleição, outros que procuram conforto nos livros e na arte da culinária. Não existem hobbies ou distrações certas ou erradas, desde que façam bem à alma.

Quando era mais nova descarregava as minhas frustrações na arte, desenhava e pintava para me distrair. Hoje em dia, descarrego mais na cozinha, no piano, no tricot e na escrita, por exemplo.

O importante aqui é que seja algo que vos tranquilize, que vos abstraia dos problemas e tal como a respiração que seja o meio para encontrarem alguma clareza. Aliás todas estas técnicas têm como finalidade limpar a cabeça de forma a conseguir esclarecer as situações que nos levaram a stressar ou que nos enervaram.

Pelo que esta técnica consiste em afastarmo-nos um bocado, fazer algo que gostemos e que nos ajude a descarregar frustrações.

3.

A TÉCNICA DO INTERROGATÓRIO

Esta é a aquela técnica que vai mesmo a fundo na questão, que enerva ao inicio, mas no fim é bastante gratificante.

Aqui nós fazemos um auto-interrogatório onde começamos a questionar-nos com «Porquê?» e «Para quê?». Parece que nos tornamos numa criança na idade dos porquês, mas a verdade é que se insistirmos com estas perguntas, quando dermos por ela chegamos ao cerne da questão e a solução torna-se mais óbvia.

Por vezes até nos apercebemos que a questão que nos stressa ou enerva nem foi aquela que nos levou a explodir naquele momento. Pode ser algo que estamos a remoer sem nos apercebermos e depois as coisas mais pequenas que nos possam dizer ou fazer parecem crimes de primeiro grau.

Por isso, lembrem-se que os porquês e os para quês são duas das perguntas mais importantes para alcançar a origem do nosso stress ou ansiedade.

Estas são as três técnicas que mais resultam comigo e desde que as comecei a pôr em prática senti uma melhoria bastante significativa. Não tenho ataques de ansiedade tão frequentes e começo a ser mais calma em situações de mais stress.

Espero que este post te ajude e lembra-te: em momentos de stress pára, recua e procura a melhor forma de te acalmar, só assim conseguirás ficar mais sereno quando só te apetece gritar.

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