5 Dias sem Café

Estava no meu primeiro ano do ensino secundário quando bebi o meu primeiro café. Tinha quinze anos e ansiava por encontrar a cura para a moleza matinal.

Eu por norma, não consigo andar de autocarro sem adormecer, pelo que o meu secundário se resumiu a uma rotina em que eu saía de casa, adormecia no autocarro, acordava na paragem da escola e, por vezes, tinha as disciplinas mais chatas de sempre logo no primeiro tempo da manhã.

Era muito complicado manter-me acordada quando o tema não era de todo dos mais interessantes para mim. Entre desenhar nas beiras do caderno e penicar-me para não adormecer, muitos foram os métodos experimentados para combater a sonolência. Foi numa altura de quase “desespero” que me lembrei de dar uma hipótese ao café. Toda a gente que eu conhecia já tomava e gostava, porque não dar-lhe uma hipótese? Gostava da sua fragrância, por isso apostei que gostaria também do seu paladar…

Estava enganada.

A primeira vez que experimentei, lembro-me que detestei. O sabor era amargo, mesmo com um pacote de açúcar. Naquele momento, julguei que as minhas sobrancelhas se tinham fixado no topo da minha testa e que nunca mais voltariam ao lugar. Era estranho para mim e demasiado intenso, contudo era uma necessidade. Percebi que no café encontrava a cura para me manter acordada e com o tempo habituei-me. Tal como o slogan da Coca-Cola: «Primeiro estranha-se, depois entranha-se.».

O problema é que se entranhou a sério e comecei a apreciar o sabor, ao ponto de se tornar vital tomar café todos os dias, mesmo sem necessidade de tal. Nos meus anos de universidade, nas alturas mais complicadas, como por exemplo na altura de entregas finais, cheguei mesmo a tomar 8 cafés por dia. Disse a mim mesma que era uma fase, mas este ano dei por mim a beber 5 a 7 cafés por dia.

Era muito café e o primeiro sinal de que já estava a ser demais eram os tremores de mãos, que acentuavam consideravelmente consoante o nível de cafeína, e a imunidade que lhe estava a ganhar. Sou capaz de tomar café e ir direta para a cama, como se nada fosse.

Preocupada com o meu consumo excessivo de café, decidi pôr-me à prova e parar de o beber durante 5 dias. Nesses 5 dias procuraria entender como o meu corpo reagia sem ele e de que forma isso me afetaria. De 5 a 7 cafés, passei a beber zero, foi uma experiência engraçada, interessante e deveras educativa.

Nestes cinco dias de desafio, permiti-me investigar e li vários artigos argumentarem que o consumo diário de café poderia ir no máximo até aos 5 cafés diários ou até ao equivalente de 400 ml de café, mais do que isso seria considerado sinal de dependência. Esta última parte preocupou-me e deixou-me ainda mais empenhada em levar o desafio para a frente.

Perguntaram-me muito nestes últimos dias, porque me submeti ao desafio e porque não me limitava a reduzir apenas a quantidade. A resposta é que eu queria ir mais longe e perceber o que o café representava na minha vida e como me aguentava sem ele.

No primeiro dia, foi canja. Sobrevivi sem problema. É o normal neste tipo de desafios. O primeiro dia costuma, por norma, ser o mais fácil, porque o entusiasmo ajuda-nos a querer conseguir alcançar os 5 dias sem vacilar.

No segundo dia comecei a sentir a falta do café e as dores de cabeça eram terríveis. Não sei se estava correlacionado, mas pelo que percebi pode estar, pois pelo que li e pelo que me disseram a cafeína em quantidade moderada pode ajudar a combater as dores de cabeça.

Ao terceiro dia notei que realmente queria tomar café, sentia-lhe falta do gosto, mas não sentia aquela necessidade de o fazer. Tinha dores de cabeça, mas apercebi-me que os meus tremores nas mãos haviam reduzido substancialmente.

Ao quarto dia, as dores de cabeça cessaram, mas a sensação de saudade do sabor do café permanecia sempre presente. Mas era mesmo só saudade, não era bem uma necessidade.

Ao quinto e último dia do desafio, senti-me aliviada por ter chegado ao fim, mas ao mesmo tempo saí dele com um grande sentimento de conquista. O café afinal para mim não era uma dependência e por si só já me deixava feliz. Eu não dependo dele, apenas o aprecio.

Os últimos cinco dias levaram-me a perceber que os meus hábitos e quantidades de café estavam a ser prejudiciais e que muita coisa boa adveio da sua ausência na minha vida.

  • Em primeiro lugar, os tremores de mãos, que por vezes se tornaram constrangedores, graças à intensidade, reduziram drasticamente.
  • Os meus dentes, por muito que ainda não sejam de um branco reluzente, encontram-se bastante mais brancos do que o habitual.
  • Os meus sonos que por norma são leves e cheios de sonhos, foram serenos e sem interrupções.

Para além das melhorias na minha vida, reparei que o não beber café me levou a gastar mais dinheiro. Pois na minha vida social, quando saio com o meu namorado ou com os meus amigos, tinha por norma pedir um café, que só por acaso, é o produto mais barato que existe nos cafés. Ao não pedir café e a substituí-lo por outro bem consumível, implicava sempre mais dinheiro, nada de muito significativo quando isolado, mas que ao fim de cinco dias se revelou ser quase 1 euro a mais nas despesas habituais.

As dores de cabeça foram outro fator negativo de toda esta experiência. Em cinco dias, três foram passados com dores de cabeça, o que se revelou bastante chato.

No computo geral, esta experiência ajudou-me a evoluir enquanto pessoa e perceber que sou capaz de estabelecer limites. Aprendi que o consumo excessivo de café estava relacionado com um dos meus maiores problemas (o tremor de mãos) e que me basta reduzir ao café para que estes reduzam também.

Foram 5 dias bastante educativos e hoje, depois de tanto tempo sem o tomar, limitei-me a tomar um café, sem açúcar por sinal e gostei!

E vocês conseguiam completar este desafio?

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