Acabou! Já sou Mestre!

Foram lágrimas, ansiedade, trabalho árduo e noites sem dormir direito. Foram dias desesperantes, desgastantes, intensos e com as emoções à flor da pele. Foram momentos em que eu pensei desistir, que duvidei de mim e das minhas capacidades. Foram dias como nunca esperara e finalmente chegaram ao fim.

Ao longo do meu percurso académico, muitas foram as vezes que duvidei de quem me dizia: «Achas que isso é stressante? Espera até começares a escrever a dissertação!», «Achas que isso dá muito trabalho e te esgota o miolo? Espera até chegares à tese e aí é que vão ser elas.». Fui avisada por diversas vezes e por diversas vezes ignorei e pus as minhas dúvidas quanto ao assunto. Quando comecei a escrever, era tudo unicórnios e algodão doce. Uma aventura no desconhecido, onde a minha necessidade de aprender mais e mais, me levavam a acreditar que afinal eu até tinha razão, aquilo não era assim tão difícil. Só que estava enganada.

Os primeiros meses foram uma viagem incrível no desconhecido, aprendi muito, li imenso sobre tópicos que realmente me interessam, escrevi sem parar e planeei tudo ao pormenor. Conseguia conciliar perfeitamente a dissertação com o meu horário de trabalho e com o tempo com os amigos e o namorado, mas quando as datas se começaram a aproximar, tudo mudou.

As correções, a formatação, a dúvida se aquilo estava digno de uma dissertação de mestrado e o medo de que tudo tivesse sido em vão deram o melhor sobre mim. O stress consumiu-me e houve alturas que senti que estava apenas presente fisicamente e a minha cabeça se encontrava sempre na dissertação e na montanha de trabalho que tinha para fazer. Já não me lembrava de ter um ataque de pânico (daqueles a sério) desde o meu secundário e, só durante estes últimos dois meses a escrever a dissertação, tive pelo menos dois. O mundo encantado tornou-se num pesadelo e eu só queria terminar tudo. Apresentar e dizer um adeus à universidade. Estava extremamente cansada, constantemente ansiosa e não estava a gostar nada daquela versão de mim.

Quando chegou o momento da apresentação, senti suores frios, as minhas mãos (que tremem constantemente) não tinham maneira de se acalmar, a minha voz parecia falhar e parecia não haver oxigénio suficiente na sala. Quando o último slide apareceu projetado na parede, dei por mim a sentir um peso a sair-me dos ombros e tudo parecia ter ganho uma nova cor. Os meses de sofrimento pareciam agora melhores do que aquilo que eu tinha achado, parecia que tinham acontecido numa outra vida e que não entendia o porquê de toda aquela ansiedade. Eu tinha trabalhado na minha dissertação, tinha-me entregue àquele trabalho e sabia que tinha atingido bons resultados. Qual fora o motivo de eu ter panicado tanto? Visto agora, parece que tudo foi exagerado, mas a verdade é que foi assim que senti no momento. Foi uma experiência que me trouxe bastante conhecimento e me concretizou ao nível pessoal e académico, porém também foi a experiência que me fez acreditar que voltar a estudar só daqui a muitos, muitos anos. Para que conste, só não digo «nunca mais», porque «nunca» é algo que não se consegue garantir.

O importante no fim deste melodrama todo é que já terminou. Já entreguei, já defendi e já sou Mestre em Design de Comunicação de Moda. O pesadelo finalmente terminou e já me encontro livre para aproveitar serões a ver séries e sair do trabalho sem pensar em mais nada. Algo que até ao momento tem sido complicado, pois existe sempre um estranho sentimento de culpa, que tal como o anjo bom e mau, se instala no meu ombro e me sussurra que eu não deveria estar a usufruir daquele momento de descanso. Depois penso melhor e quando me relembro que já terminei a dissertação, volto novamente a relaxar e a aproveitar o momento. Vai ser uma fase de adaptação engraçada, isso vai.

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