Labruge | Um pequeno paraíso à beira mar

Escondida por labirínticas e estreitas estradas de paralelo, existe uma terra onde os horizontes são o vasto mar e os densos e extensos campos de milho. Uma pequena terra costeira por onde passam os caminhos de Santiago e onde o sossego (mesmo ao longo da época balnear) é fruto dos difíceis acessos. Conheci este lugar maravilhoso há um ano, graças à minha irmã mais velha, pois se não fosse ela, nunca saberia que, para lá daquele acesso em paralelo atrás do Vila do Conde Fashion Outlet, haveria algumas das mais esplêndidas paisagens da costa portuguesa.

Sempre fui mais adepta da montanha e do rio, mas tenho de admitir que Labruge e o seu encanto me fizeram apreciar mais o mar e a praia. Existe algo no intenso aroma a água salgada e na quietude das ondas que me faz sentir mais calma e feliz. Talvez por isso, goste tanto de ali estar. Ao longo do verão, tive o prazer de ir passando uns dias lá e de poder explorar (à la pata, sempre) o melhor que Labruge tem para oferecer. Caminhar pelo paredão ao longo da costa, em direção à Capela de São Paio, sempre com vegetação de um lado e mar do outro. Tendo apenas os peregrinos e desportistas como parceiros de caminho e uma vista de cortar a respiração como incentivo para prosseguir.

Caminhando na direção contrária, em direção a Lavra, passamos pela ponte sobre o Rio Onda. Onde de um lado podemos observar os bandos de patos a nadar em fileiras com os peixes a passarem subtilmente por baixo deles. Do outro lado, vemos o areal e o rio a fundir-se com o mar, deste lado não se vê nem um pato, mas sim, um bando avultado de gaivotas. Duas realidades separadas por uma ponte que liga Labruge a Lavra, a freguesia vizinha.

Apesar de valerem a pena ser feitas, estas caminhadas podem ser guardadas para quando o tempo se encontra mais suspeito e fresco, deixando os dias de calor para nos estendermos ao sol no areal, onde dificilmente não se encontra lugar. É desfrutar de uma tarde na praia a deliciarmo-nos com o som das ondas a gentilmente embaterem nos rochedos, aproveitarmos para ler um livro e esperar ouvir o vendedor ambulante anunciar «Olha a Bola de Berlim» (que, já agora, é das melhores que já provei).

Labruge é o lugar perfeito para quem não gosta de ter de procurar um espaço livre de 30×30 cm no areal e para quem não gosta de passar a vida a pedir desculpa às pessoas cuja toalha tiveram de pisar para chegar ao mar. Um lugar idílico para quem não gosta de grandes confusões e prefere lugares mais calmos para aproveitar os seus dias de férias.

Passei lá alguns fins-de-semanas e cinco dias das minhas férias. Foram cinco dias a tentar repor os meus antigos hábitos de leitura com o «Sétimo Selo», de José Rodrigues dos Santos; a tentar pôr as séries em dia com a minha irmã mais nova (a terceira temporada de «Thirteen Reasons Why» da Netflix já está arrumada); fins de tarde a trabalhar na minha dissertação e a assistir ao pôr do sol (um momento mágico que vale sempre a pena); e manhãs e tardes de praia relaxantes e revitalizantes que eram a pausa que precisava para voltar ao trabalho esta segunda-feira com a energia toda reposta.

Labruge tornou-se assim o meu cantinho à beira mar. E o teu qual é?

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