Campo do Gerês | Descidas tramadas, subidas lixadas e uma vista de cortar a respiração

Existem lugares onde nos sentimos em casa e onde a nossa alma parece pertencer. A minha, para além de pertencer à terra que me viu crescer, pertence aos tons verdes e aos céus azuis que se fundem com as águas frescas dos rios. Pertence às terras altas do norte de Portugal. Pertence aos lugares mais belos do país, às terras do Parque Nacional da Peneda do Gerês.

Este fim de semana, decidi colocar a vida em pausa e usufruir de uns dias de descanso numa terra que me diz muito e da qual guardo muitas recordações. Como as tartes de maçã da minha tia avó acabadinhas de fazer, os churrascos preparados pelo meu tio avô, as tardes de verão a ir buscar a água à fonte e a ver as montanhas da Fastio sentada na varanda. Com a mente a precisar de descanso, fiz malas e rumei com os meus amigos até ao Campo do Gerês, onde passei um fim-de-semana incrível, como já era de esperar e onde as descidas tramadas e as subidas lixadas marcaram estas mini-férias de um jeito que só os meus gémeos sabem. Não estão a entender? Eu já explico mais à frente.

Quando se pensa em descansar a mente e relaxar um bocado, muitos imaginam tardes no spa ou então esparramados ao sol na praia ou à beira rio. Nós não, pelo menos os meus amigos não pensam assim. Imaginam aventuras e caminhadas por trilhos e outras coisas onde estar sentado ou descansado não entra na equação. Pelo que o nosso fim-de-semana começou a matar com uma caminhada pensada por mim do centro da freguesia até à Barragem de Vilarinho das Furnas, que não fica muito longe dali. Digamos que são aproximadamente 1,8km para cada lado. Fácil, certo? Seria, se nos limitássemos ao que eu tinha em mente, contudo, quando chegamos à barragem e começamos a apreciar a vista de um lado e do outro, as escadas que levavam ao fundo da barragem captaram a atenção dos meus amigos e quando dei por ela estava a concordar com essa ideia louca.

Lá de cima, tudo parecia mais perto, menos degraus… à medida que ia descendo só pensava: «Isto foi uma péssima ideia! Má ideia! Má ideia!». A dois terços de alcançar o fim das escadas e já as minhas pernas tremiam do esforço. A verdade é que apesar de tudo, mesmo com o muro a erguer-se imponentemente à nossa frente e sabendo que ele segurava uma quantidade avassaladora de água do outro lado, a descida tinha valido a pena. O ambiente, a vista, tudo tinha compensado aquela que tinha sido uma descida tramada e mostrava ser uma subida ainda mais atroz. E não estava enganada. Vi-me obrigada a parar de quinze em quinze degraus, sim eu contei. Os meus gémeos gritavam, aquela “dor de burro” aguda latejava, o sangue bombava na minha cabeça, o sol das três da tarde também não estava a ajudar, mas acreditem ou não, eu estava feliz. Aquela experiência tinha sido desgastante, mas tinha compensado todo o cansaço. Estar lá em baixo era um misto de medo e alegria, não consigo descrever o sentimento.

Quando cheguei a casa, permiti-me descansar e quando no dia seguinte propuseram uma nova caminhada, ainda assustada com a do dia anterior, sugeri uma mais branda e realmente fácil. Contornámos a freguesia, sem grandes subidas, nem grandes descidas, um caminho realmente simples e agradável, onde podemos passar por ruelas e campos, sempre com os montes a ladear-nos e sempre também com uma paisagem incrível.

Foi um fim-de-semana incrível passado com pessoas incríveis, num lugar igualmente incrível, com uma grande aventura que me marcou e fica para contar.

Se não conheces o Campo do Gerês, recomendo vivamente. Nem que seja um dia apenas, pois compensa sempre! Há tanto para ver e para visitar e aventuras não faltam! Isso é garantido!

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