O regresso do «O Rei Leão», fez-me regressar ao passado

A estreia do remake do filme da Disney, «O Rei Leão», fez com que uma certa nostalgia se tenha apoderado de mim ao longo das últimas semanas. Viajo frequentemente no tempo em pensamentos e as memórias trazem consigo aquele toque agridoce da saudade e da alegria dos belos tempos que já lá vão.

Nunca fui uma criança fácil, não é motivo de orgulho, mas consigo reconhecê-lo e havia coisas que eu detestava, como por exemplo, ir ao infantário. A hora da sesta, as natas a boiar no topo da caneca do leite, o não poder fazer o que se queria, assim resumidamente: maldito infantário e as suas regras! Para agravar à situação, a minha irmã mais velha já era demasiado “grande” para lá andar e eu não percebia porque tinha de ir sozinha enfrentar aquela “prisão”. Fiz o meu choradinho, uma certa dose de birras com tudo a que tem direito antes de sair de casa, na viagem de carro e à porta do infantário e lá consegui que os meus pais me tirassem daquele sítio. A primeira conversa de gente crescida que o meu pai teve comigo, foi nesse momento. «Se saíres do infantário, vais ter de ficar todo o dia na avó. Não vai haver meninos com quem brincar!». Não cedi e, na verdade, não me arrependo nada daquela “minha decisão”. A minha “educadora” (a minha avó) era do melhor que há! Levava-me nas suas visitas sociais à minha prima dela, dava-me leite sem natas a boiar, ajudava-me a fazer recortes nas revistas, de vez em quando, fazia-me umas papas de banana e bolacha maria que ainda hoje como e ensinou-me a costurar. Já o meu avô, quando estava em casa, jogava comigo às damas, ao burro, levava-me a dar passeios pelo centro da vila e a passear os cães pelos campos perto da casa deles. Havendo assim um dia com mais sorte, o meu avô deixava-me ir com ele no autocarro até Vieira do Minho, quando o serviço dele era para aqueles lados (o meu avô era motorista, só para entenderem a referência). Não me faltou entretenimento durante aqueles tempos e o meu preferido era ver os filmes da Disney, sendo que o meu predileto era «O Rei Leão».

A minha avó aprendeu a rebobinar as cassetes e eu era capaz de ficar naquilo a tarde toda, se não o dia inteiro, via e revia o mesmo filme se necessário fosse. Adorava aquelas histórias e alimentava a minha imaginação infantil e fértil com elas. «O Rei Leão» era o que mais saía da estante e já sabia as falas e as músicas de cor. Vi e revi o filme até a fita da cassete começar a queimar e no centro do ecrã da televisão aparecer aquelas riscas cinza e brancas. Nessa fase, a minha avó proibiu-me de ver o filme porque «ia dar cabo da vista», mas mal ela saía para ir tratar da roupa ou de outros afazeres dela, lá ia eu trocar a cassete e conseguia ver o filme mesmo não havendo quase desenhos a passar no televisor. Doce infância, bons tempos que guardo com carinho, belo filme que ainda hoje me enche o coração e faz cair aquela lágrima na cena da morte de Mufasa (SPOILER ALERT!).

Visitei tantas vezes a minha infância nos últimos dias que ir ver o filme ao cinema foi mais um tributo aos meus tempos de inocência e um brinde à sorte que tive em ter vivido uma infãncia tão feliz. Não se compara ao filme original de desenhos animados, mas é muito bom. Permitiu-me rir até doer a barriga, deitar aquela lágrima e rever uma das melhores histórias da Disney.

E tu, já foste ver «O Rei Leão»? O que achaste?

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